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PELADOS EM AMSTERDÃ



No ano de 2015 fiz uma viagem, juntamente com a minha esposa, para Amsterdã, na Holanda. Ficamos hospedados no apartamento do meu irmão e sua esposa, que moraram lá por alguns anos. Viajar é uma das coisas que mais me dá prazer. Conhecer novos lugares e, principalmente, novas culturas me proporciona momentos que me fazem sentir realmente vivo. Conhecer, viver e experimentar a diversidade cultural me fascina. Sair do meu mundinho é libertador.

Brasileiro que sou, estou acostumado com a diversidade. Aqui no Brasil existe um pouquinho de tudo do mundo, ainda mais em São Paulo, cidade onde moro. Contudo tenho meus paradigmas, um modelo de vida, de crenças e de comportamento adquiridos ao longo da vida. De certa forma sou escravo desses paradigmas e tudo que foge deles é um tanto desafiador.

Logo que chegamos em Amsterdã meu irmão e minha cunhada nos recepcionaram ainda no aeroporto e fomos direto para o apartamento. Lá chegando, o primeiro choque de comportamento. Meu irmão nos informou que dentro do apartamento eles tinham o hábito de não usar calçados por questão de higiene e para facilitar a limpeza. Lá é muito difícil as pessoas terem alguém para fazer faxina, e os próprios moradores limpam suas casas. Achei demais, mas ainda assim por vezes não percebi que estava calçado dentro do apartamento. É difícil mudar um comportamento aprendido, ainda que eu queira e ache isso o correto a ser feito.

Depois de um lanche rápido fomos conhecer um pouco da cidade. No centro, como já era esperado, ficamos encantados com a beleza da arquitetura, dos canais, com as bicicletas e com os holandeses. Mais um choque: lá quem manda são as bicicletas e nós, preocupados com carros ao atravessar a rua, por vezes quase fomos atropelados pelas bikes. Mudar comportamentos não é fácil, mas de vez em quando é necessário, até mesmo para se manter a integridade física.

Foi então que numa noite após o jantar fomos presenteados pelo meu irmão e sua esposa com uma dia num Hotel Spa. Eis que vivenciamos o maior choque cultural de todos. Primeiramente, o spa que conhecemos no Brasil nada tem a ver com o de lá. Aqui no Brasil spa é um lugar que ficou conhecido como um "hotel de luxo", com alimentação baseada numa dieta para perda de peso tanto por motivos de saúde quanto estéticos. O spa de lá é um local para proporcionar bem estar através de hidromassagens, piscinas, saunas, ofurôs, massagens e banhos entre outras coisas.

VOCÊS DEVEM ESTAR SE PERGUNTANDO POR QUE EU DISSE QUE ESSE FOI O MAIOR CHOQUE CULTURAL. POR UM SIMPLES DETALHE. ELES VÃO PARA O SPA PELADOS

Os holandeses, em geral, de todas as idades, homens e mulheres adoram ir para o spa. Eles vão em família, com amigos e também sozinhos. Vão em datas comemorativas, aniversários, feriados, após um dia normal de trabalho ou num dia de folga. Vocês devem estar se perguntando por que eu disse que esse foi maior choque cultural. Por um simples detalhe. Eles vão para o spa pelados. Isso mesmo, velhinhos(as), jovens, coroas, heterosexuais, bisexuais, homosexuais, gordinhos(as), magros(as), sarados(as), com pinto pequeno, pinto grande, com peito grande, peito pequeno, bunda grande ou pequena. Não importa o sexo ou a orientação sexual. Não importa a cor da pele ou seja lá o que possa ser mostrado através da imagem do corpo. O que importa é o respeito pelo outro e o bem estar de todos.

Meus sentimentos ao chegar no spa foram de desconforto, nervosismo e vergonha. Mas sabia que eles eram os frutos dos grilhões dos meus paradigmas culturais. Logo que chegamos fomos atendidos por uma recepcionista muito educada e atenciosa, que nos explicou o funcionamento e as regras do hotel. Seu atendimento terminou com a pergunta: Vocês sabem que hoje não é permitido usar roupa de banho, não é? (só uma vez por semana é permitida a entrada com traje de banho). Respondemos que sim e seguimos.

O vestiário estava vazio e minha esposa e eu tiramos a roupa e nos vestimos com um roupão. Então chegamos no Spa de fato e logo na entrada já vimos um grupo de senhoras nas duchas. Pronto, decidi tirar o roupão e tomar uma ducha também, tudo com muita naturalidade. Elas conversavam alegremente enquanto tomavam banho. Logo minha esposa também ficou como veio ao mundo e veio tomar uma ducha também. A partir daí tudo ficou literalmente muito natural. Fomos explorar os vários tipos de saunas que existaim. Secas, úmidas, mais quentes, menos quentes, com aromas, musicais, com luzes relaxantes. A variedade era enorme. Eu, particularmente, não gosto de saunas muito quente, ao contrário da minha esposa. Por isso, em alguns momentos, fomos em saunas separadas. O fato de deixá-la sozinha não me deixou nem um pouco preocupado, dado o respeito que o ambiente e as pessoas transmitiam.

Por fim foi uma experiência única, prazeirosa, relaxante e que me proporcionou um bem estar inigualável. Não estava acostumado a ficar pelado na frente de outras pessoas e, ao fazê-lo, pude experimentar o quanto quebrar paradigmas é libertador.

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