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EU FUI: A SAUNA



Foto | Thermen Bussloo

Vergonha é roubar e levar dinheiro na cueca

Como a maioria das pessoas, cresci acreditando que minha melhor versão é com roupa. Pelada, sou um horror. Aquelas questões de tamanho de peito, quantidade de pelos, formato da bunda, tamanho do culote, tudo isso foi (e ainda é, um pouco) motivo de preocupação e vergonha na vida.

Mas, já faz um tempinho, entendi que não vale a pena encucar com besteira - a gente só tem de se preocupar com doença e com perigos reais. O fato de ter viajado para a Suécia em 2008 pra fazer uma matéria de saunas, e ter visto todo mundo agindo com uma puta naturalidade frente à nudez alheia, de certa forma me preparou para o que vivi em setembro último, na Holanda. Eu não tive coragem, naquela época, de ficar peladona na frente das pessoas que eu tava entrevistando, eram todos homens e mal havíamos nos conhecido. A ideia, entretanto, nunca saiu da minha cabeça. Passamos os primeiros dias da viagem visitando sauna pela país, descendo pelo litoral depois dos 3 dias no Hotel de Gelo, em Jukkasjärvi. Era uma mais bonita que a outra.

Ter ido pra sauna com amigos na Holanda, num espaço maravilhoso com piscinas e salinhas pra simplesmente relaxar, foi bem especial, porque amo os dois e porque não teria vergonha de pessoas que me são tão próximas. Não era mais um constrangimento para mim. A explicação, aliás, é simples: em sauna a gente não se mostra, não sinto que seja exibição. Numa cultura como a do norte da Europa, não existe isso - a menos que você esteja rodeado de adolescentes impúberes, talvez, que possivelmente vão reparar mais no teu corpo (ainda assim, você não está sujeita à violência que em geral acompanha a nudez, ou a sugestão da nudez, ou qualquer coisa que se refira à mulher, em outros lugares).

MEUS AMIGOS FALARAM QUE EU ESTAVA MUITO DESENCANADA, E TAVA MESMO! NÃO SENTI VERGONHA DE NADA, EM NENHUM MOMENTO

Gostei imenso do lugar, à beira de um lago e a uma hora de Amsterdã. Foi um sábado de sol forte, perfeito (e ainda tivemos o domingo! que maravilha!).

O único momento em que senti frio na barriga foi na entrada, quando se tira tudo para tomar a primeira ducha, antes de entrar no salão onde ficam as saunas internas - há outras, ainda mais legais, do lado de fora do complexo do hotel, com mais piscininhas e área gramada com cadeiras. O primeiro "despir-se" é o mais importante e nervoso. Depois, a gente se acostuma com tudo. Não tava nem aí com meu cabelo zoado, minha depilação atrasada.

Meus amigos falaram que eu estava muito desencanada, e tava mesmo! Não senti NADA de vergonha, em nenhum momento e, na sauna, a gente olha pro outro com menos juízo de valor. Meu único medo foi desmaiar de tanto calor, num dos rituais que fizemos, que eu carinhosamente chamei de "baforada do capiroto". Numa salinha, os caras quebravam blocos de gelo e botavam sobre pedras fumegantes mantidas aquecidas, espalhando com toalhas o vapor perfumado que levantava daquilo. Era cada golpe de ar quente forte! O ar batia a e gente se empapava de suor.

Poderia falar de cada sauna que visitei, o relaxamento, o sono bom que deu, o efeito da água quente e fria no corpo da gente, a esfoliação que deixa a pele hiper sedosa (sauna é tratamento de beleza), o quanto a gente precisa disso pra dar uma desligada. É triste não ter lugares assim no Brasil - e é difícil até conceber um lugar assim no Brasil que não tenha a ver com praias de nudismo ou naturismo. Quem foi que disse mesmo que somos "liberais"? A gente não lida direito NEM com sexo NEM com nudez.

Vai ter repeteco, garanto proceis.

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